Do Diagnóstico Geracional à Paralisia Real: O que as cobranças de performance fazem com a nossa mente

Essa semana eu assisti o vídeo do Youtuber Márcio Rolim, no vídeo ele traz uma análise cirúrgica sobre a nossa trajetória geracional. Ele discute o peso que os millennials carregam desde a juventude: a promessa de que o esforço individual, a hiperprodutividade e a busca incessante por metas seriam a fórmula matemática para o sucesso. Quando cruzávamos a barreira dos 20 anos, o cenário vendido era o do potencial ilimitado. Recomendo fortemente assistir ao vídeo completo para entender essa construção.

Aqui sinto a necessidade de um preâmbulo. Os Millennials e a Geração Z são os dois maiores grupos demográficos da atualidade, divididos pelo período de nascimento. Enquanto os Millennials viveram a transição do mundo analógico para o digital (entre 1981 e 1996) e a promessa de que é estudando, fazendo concurso, ou fazendo um tecnólogo que se conquista um lugar no mundo, a Geração Z (entre 1997 e 2010) nasceu imersa na tecnologia e na internet.

No meu dia a dia no consultório, o meu trabalho começa exatamente onde essa promessa de sucesso falha e dá lugar ao esgotamento emocional. Aquela cobrança por performance que começou lá atrás, na juventude, não desaparece com o tempo; ela se acumula e se transforma em uma pressão esmagadora por estabilidade e conquistas materiais na maturidade.

Atendo diariamente pessoas que enfrentam dias difíceis em silêncio, sufocadas por uma pressão laboral implacável e tentando equilibrar as cobranças do trabalho com o cuidado com a família. O sofrimento surge quando percebemos que, por mais que a gente se desdobre e trabalhe horas a fio, a realidade não entrega a calmaria prometida. O choque entre a expectativa de uma vida estável e o peso da rotina altera profundamente o nosso bem-estar, nos deixando exaustas e sem chão.

É precisamente nesse ponto de saturação que um fenômeno silencioso se instala: o desamparo aprendido. Sabe quando você rema com toda a sua força contra a correnteza, tenta resolver um problema, salvar um relacionamento ou alcançar uma meta repetidas vezes, e parece que não sai do lugar? O seu cérebro, exausto de lutar contra a maré sem ver saída, acaba "aprendendo" que o esforço é inútil. Você solta o remo e paralisa não porque desistiu ou porque é fraca, mas porque a sua mente desligou a chave da reação para poupar o mínimo de energia que sobrou no tanque para finalizar o dia.

A psicoterapia baseada em evidências (através de abordagens como a ACT e a FAP) não chega para te dar mais uma fórmula mágica de superação ou te exigir uma força heróica digna de aplausos que você não tem hoje. O caminho é, no aqui e agora da clínica, construir um espaço seguro para desacelerar, desarmar a culpa e recuperar a flexibilidade psicológica para se alinhar com os valores que realmente importam.

Precisamos expor a rigidez dessas cobranças que o mercado nos impõe e aprender a separar o nosso valor humano do tamanho das nossas conquistas materiais. Esse é o primeiro passo para retomar o controle da própria canoa, respeitando o fluxo real do rio e escolhendo persistir apenas naquilo que realmente faz sentido para a sua vida e para a sua saúde emocional.


Sobre a Autora: Thaline Lima é psicóloga clínica, com registro 10023/20 CRP, especializada em Neuropsicologia, Políticas Públicas e Direitos Sociais. Sua prática clínica utiliza a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) para ajudar pessoas a navegarem por sofrimentos intensos e dias difíceis, devolvendo-lhes a autonomia e a capacidade de viver uma vida valorosa.

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